Prefeitura Municipal de Vitória
Projeto destinado a Secretaria Municipal de Educação com o objetivo de introduzir aos profissionais de educação de todas as Séries Iniciais e Finais do Ensino Fundamental da EMEF “Eliane Rodrigues dos Santos”, a compreenderem a importância do estudo da história africana de acordo com a determinação dos Parâmetros Curriculares Nacionais.
Vitória, Setembro de 2003.
INTRODUÇÃO:
A idéia principal do nosso
projeto sobre o estudo sobre a Historia Africana é possibilitar uma melhor
compreensão da participação material, cultural e intelectual dos africanos e
afrodescendentes na sociedade brasileira para melhor compreensão, análise e
atuação didático-pedagógica dos profissionais de educação como: pedagogos,
coordenadores e professores da EMEF “Eliane Rodrigues dos Santos”.
O nosso enfoque não é o da
contribuição africana para a cultura brasileira, mas da participação da cultura
africana na cultura brasileira. Essa idéia de contribuição tem sido
desenvolvida, até hoje em nossos livros didáticos, criando a noção de que a
cultura brasileira também fica representada como um prolongamento da cultura
européia com alguns adereços das culturas indígenas e africanas.
Postura da qual discordamos
profundamente e consideramos não apenas equivocada, mas como eurocêntrica e,
por vezes, racista. Conceitualmente vamos considerar a introdução dos elementos
culturais Africanos no Brasil sob a idéia de reinterpretação.
JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS:
Na atualidade, os processos
de educação e transmissão da cultura brasileira deveriam estar assentados nos
conhecimentos da historia africana, indígena e européia. No entanto os
processos coloniais e imperialistas europeus criaram sistemas de dominações e
as visões sobre cultura e educação nacional foram submetidos às regras
ideológicas do eurocentrismo. Por isso, a ausência da História Africana é uma
das lacunas de grande importância nos sistemas educacionais brasileiros.
“É inequívoco que a
construção de uma identidade passa pelo conhecimento da própria História, não
no sentido de resgatá-la idealisticamente, mas de fazê-la presente como referência
cultural. Cerca de 66 milhões de pessoas (44% do total de 150 milhões) fazem do
Brasil o segundo maior país de negros ou descendentes de negros do mundo,
perdendo somente para a Nigéria (1991:122.340.000); entretanto, a marca da
escravatura e a hegemonia branca obscurecem esta realidade. Esta farsa de olhar
e não ver, ou não querer ver, está plenamente estampada no ensino brasileiro.
Quem olha para os currículos escolares, do primeiro grau à universidade - salvo
raras exceções - não vê a presença negra, senão restrita a algumas lamúrias nas
poucas páginas dedicadas à escravatura. Se somos tributários de uma cultura
cristã, ocidental e mais particularmente européia, não somos menos tributários
de várias culturas africanas. Nossos currículos, no entanto, são eurocêntricos.
Nos cursos de História os egípcios e mesopotâmios desaparecem pura e
simplesmente quando a Europa torna-se hegemônica. A Ásia e a África aparecem e
desaparecem não como possuidoras de sua própria historicidade mas como
apêndices na História da expansão européia. Passado este capítulo, desaparecem
misteriosamente. Fica-nos a impressão de que deixaram de ter História, de
existir.”(Valdemir D. Zamparoni – Historianet)
Esta ausência tem
conseqüências desastrosas sobre a população brasileira. Cria um ambiente de
exclusões étnicas, os quais denominamos de racismos, existe um processo de
criação de credos sobre a inferioridade do negro, do africano e dos
afrodescendentes. Desta forma a ausência de uma história Africana, em primeiro
lugar, retira a oportunidade dos Afrodescendentes em construírem uma identidade
positiva sobre as nossas origens.
Também, abre espaço para
hipóteses preconceituosas, desinformadas ou racistas sobre as nossas origens,
criando assim terreno fértil para produção e difusão de idéias erradas e
racistas sobre as origens da população negra. Alimenta um universo do Africano
e Afrodescendente como ignorante, inculto, incivilizado. Os seres vindos da
tribo dos homens nus. É o eixo central determinante dos conceitos inferiorizantes
sobre nós negros no país.
Apresenta os continentes e
as diversas culturas a nível mundial, em desigualdade de informação sobre os
conteúdos apresentados pela educação. Visto termos uma ampla abordagem da
história européia, a ausência da história africana nos currículos, induz a
idéia de que ela não existe. Que ela não faz parte do conhecimento a ser
transmitido.
Outra conseqüência direta
está sobre o entendimento da história brasileira e da formação do povo
brasileiro. A História do Brasil, após 1500, é uma conseqüência das histórias
Indígenas, Africanas e Européias. As tecnologias, costumes, culturas, propostas
políticas trazidas pelos Africanos ficam difíceis de serem reconhecidas e
integradas devidamente na história nacional pelo desconhecimento da base
Africana. Muitas das realizações do povo africano no Brasil, ficam
sub-dimensionadas ou não reconhecidas, dado o tamanho da ignorância reinante no
país sobre as nossas origens africanas. Não é possível uma história brasileira
justa e honesta sem o conhecimento da história Africana.
Portanto estamos diante de
uma grande oportunidade, de incluir a História Africana no ensino fundamental.
Mas, estamos sem o preparo necessário para esta inclusão e muito menos sem uma
política pública para promover a formação necessária, a todos os níveis, para
possibilitar esta inclusão de forma adequada.
Desta forma, iremos
discutir, debater e estudar os elementos da introdução à história africana na
educação brasileira em nossa escola, tendo como pano de fundo a existência
recente dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNS).
METODOLOGIA E AVALIAÇÃO:
Este projeto
será desenvolvido durante todo ano letivo, dentro e fora de aula, nas
diferentes disciplinas das séries do ensino fundamental, através de atividades
de vinculação do conteúdo acadêmico com a prática social.
Não serão incluídos novos conteúdos, mas o currículo escolar será enriquecido, com informação (sérias e certas) e atividades que ressaltem a necessidade da vinculação da escola com a sociedade dos conhecimentos teóricos com a vivência prática.
A analise do registro desses procedimentos permitirá tomadas de decisões sobre a manutenção e/ou redimensionamento das ações previstas e executadas.
“Uma opção metodológica que considera a atuação do educando na construção do seu próprio conhecimento valoriza suas experiências, seus conhecimentos prévios e a interação professor-aluno, aluno-professor, desenvolvendo no educando a capacidade de posicionar-se, elaborar projetos pessoais e participar enunciativa e cooperativamente de projetos coletivos, ter discernimento, organizar-se em função de metas eleitas, governa-se, participar de gestão de ações coletivas, estabelecendo critérios e eleger princípios éticos”. (PCNS-Introdução pg.94).
Organizações de grupos e estudos
Realizações de seminários e palestras.
Visitar nossos alunos, trazendo a
família para a escola através de reuniões participações em eventos como feira
do conhecimento, culturais, artísticas e científicas.
Oficinas.
Atividades recreativas como: jogos,
torneios e gincanas
Criação de banda de música
Criação de uma videoteca
Criação de uma brinquedoteca
Após conhecimentos das metas e ações acima com discussões, seminários, junto a comunidade escolar tirando de imediato prioridades para um trabalho em conjunto mais concreto.
Embasamento nos PCN´s centrando-se nos
aspectos conceituais, atitudinais e procedimentos.
Envolvimento de toda a comunidade
escolar.
Inserção no PPP e PDE, na grade
curricular de forma interdisciplinar.
O projeto será implantado à partir do ano letivo de 2004.
O Projeto terá duração do ano letivo levando-se em consideração:
Abril e maio – pesquisa, para
diagnóstico e levantamento de temas.
Junho e julho (férias escolares) – montar
estratégias.
Agosto a novembro – desenvolvimento de
trabalho com os alunos.
Dezembro – avaliação.
CONSIDERAÇÕES FINAIS:
O projeto de inclusão da
História Africana representa uma maneira de entender o sentido da escolaridade
baseado no ensino para compreensão.
O que implica o que os
alunos participem de um processo de pesquisa que tenha sentido para eles (não
porque seja fácil ou agradável) e no qual usem diferentes estratégias de
estudo; podem participar no processo de planejamento da própria aprendizagem e
ajudá-los a serem flexíveis, a conhecerem o “outro” e compreenderem seu próprio
ambiente pessoal e cultural (e dos outros).
Este é o caminho para
repensar a função da escola afim de
responder não aos interesses dos especialistas, mas sim aos da comunidade
educativa, em um mundo em transformação no qual os conhecimentos estão em
constante revisão.